Busquei ajuda psiquiátrica

BoJack Horseman, da Netflix

Ouvi relatos parecidos várias vezes. Uma pessoa disse que um parente tinha começado um tratamento psiquiátrico e perdido boa parte da sua personalidade como consequência. Não sentia mais a tristeza paralisante da depressão, mas também não sentia grandes alegrias. Um amigo me falou que era difícil não viciar em medicamentos controlados, e outro contou que passava mal sempre que precisava tomar o seu.

Não quero invalidar testemunhos assim. Só quero dizer que nem todas as pessoas têm a mesma experiência com medicação. Uma coisa que qualquer bula vai te dizer é os efeitos de um medicamento podem variar de pessoa para pessoa. O meu caso, por sorte, não parece com nada do que a gente sempre escuta por aí. Comecei um tratamento psiquiátrico há um mês, e quis compartilhar isso justamente para que você saiba que histórias de terror não são as únicas que existem.

Eu sofro de ansiedade. Com a pandemia, meus sintomas se agravaram, como aconteceu com muita gente. Depois, percebi que também tinha sintomas de depressão.

Uns anos atrás, procurei acompanhamento terapêutico e, mais tarde, descobri a meditação — dois fatores que me ajudaram muito além do que eu esperava. Mas agora não estamos em circunstâncias normais. Eu acredito que situações extraordinárias podem pedir medidas extraordinárias, e entendi que precisava de medicação depois de um episódio marcante.

Tive uma crise de ansiedade que me levou ao hospital. Achava que fosse algo ruim que comi ou uma virose, mas o clínico que avaliou os meus vários sintomas bizarros me encaminhou a um psiquiatra.

Eu tomo um remédio no começo do dia, que é antidepressivo e ansiolítico. Tomo outro antes de dormir, para assegurar um sono de qualidade, que é crucial para a saúde mental, e eu nem sabia. Nenhum desses medicamentos é de tarja preta, eles não viciam, e eu não tive nenhuma reação problemática a eles.

Minha médica esperava que eu visse resultados na terceira ou quarta semana de uso dos remédios, mas comecei a me sentir radicalmente melhor logo na segunda semana. Começamos o tratamento com as doses mínimas e, no fim do mês, percebi que não era o suficiente, porque, mesmo medicado, tive uma crise que nem sei direito como começou.

Na minha última consulta, aumentamos a dose do remédio diurno. O da noite continua me garantindo um sono melhor do que eu lembrava que existia. Agora é ver se consigo ficar estável.

O principal motivo de eu contar tudo isso é encorajar você, que sabe que precisa de ajuda profissional. Talvez seus amigos tenham dito para você procurar um psiquiatra. Talvez sua família tenha dito que isso é coisa de louco. Seja como for, espero que você se identifique comigo, que posso contar minha recente experiência sem nenhuma vergonha. Eu estou feliz e orgulhoso de me responsabilizar pela minha saúde contra todos os preconceitos. Me sinto cada vez melhor, e desejo o mesmo para você.

Todo mundo precisa de ajuda de vez em quando. Ninguém chega a lugar nenhum sozinho. Transtorno de ansiedade e depressão são doenças. Busque ajuda. Continue corajoso.

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