Música para estimular o cérebro

A gente nunca sabe se vai gostar de uma coisa até provar. Isso se aplica tanto a quiabo como a estilo musical.

Durante as duas últimas semanas, tive uma experiência inédita com música, que me fez sentir tão bem, que tive que escrever. Estou falando de jazz. Não sou nenhum fã do gênero, muito menos entendido. Tirando meu contato com dois discos de uma big band que ninguém conhece e o filme La La Land, pouco me sobra. Mas vamos à história.

Já ouvi especialistas dizendo que você pode ser mais feliz e produtivo se começar o dia fazendo algo que curte. Mesmo que seja simples como passar o próprio café ou caminhar ao ar livre. No começo do mês, decidi colocar essa ideia à prova, e comecei a botar música para tocar logo ao despertar.

A maior parte do que consumi na vida foi pop rock, pop internacional, e música alternativa. Bastante barulho e energia que às vezes davam lugar a fases de outros estilos. De repente, eu só ouvia hip hop ou samba ou indie. Atualmente, meu cérebro exige músicas calmas. Passei no mínimo o último semestre inteiro ouvindo playlists com títulos cafonas, tipo “Para relaxar”. Isso me levou a muitas faixas agradáveis e também introduziu outras chatíssimas.

Acho que foi na terça que tentei uma playlist atrás da outra sem sentir tesão por nenhuma. Resolvi buscar algo fora do meu padrão. A Apple Music sugeriu “Cool jazz: essenciais”. Cliquei pronto para brochar e escolher a próxima opção, mas fui cativado.

Miles Davis

As pessoas que realmente curtem música sabem que o jazz possui um caráter de improvisação. Suspeito que esse fator desmotive muita gente que não dá uma chance ao gênero. Afinal, nosso cérebro gosta de saber o que vai acontecer em seguida numa canção. A gente instintivamente quer reconhecer padrões, antecipar e participar. Eu mesmo, quando ouvia jazz, assim de relance, achava um pouco irritante. Música para aficcionado.

Acontece que a imprevisibilidade do jazz é exatamente o que o torna tão estimulante. Essa foi a sensação nítida que tive. Levantei da cama animado, e comecei a produzir imediatamente quando o jazz começou a tocar, sem alguns impulsos negativos que costumo ter quando estou acordado há pouco tempo. Nunca fui uma morning person. Prefiro não engajar com nenhuma atividade ou pessoa logo que acordo, então imagine a minha surpresa. Olha o que descobri num artigo que retrata estudos sobre esse gênero de música:

O jazz estimula a mente. Conforme seu cérebro recebe mensagens do meio ambiente, ele libera substâncias químicas para reagir de acordo. Seguindo a influência do jazz, seu cérebro tende a imitar os padrões ritmicamente improvisados. A atividade na música, portanto, influencia o aumento da estimulação neural hiperativa.

O artigo em inglês está aqui

Falar em hiperatividade pode dar uma ideia de que ouvir jazz vai deixar você desconfortável e descontrolado, mas estamos falando de algo mais próximo de um super foco. Não tem necessariamente a ver com inquietude.

Enquanto me dedicava às primeiras atividades do dia, senti que o jazz tem me deixado grounded — com a sensação de estar de pés no chão, plenamente situado no momento presente, sem a mente voar por aí. Notei minha cabeça interromper menos do que o normal com pensamentos aleatórios. E existem vários outros benefícios em ouvir esse tipo de música:

O jazz também ativa certas ondas cerebrais que levam a um melhor funcionamento do cérebro. A onda alfa promove relaxamento, enquanto a onda delta permite que você tenha uma noite de sono melhor. As ondas Theta, por outro lado, funcionam estimulando a criatividade, e isso nos leva ao principal componente do jazz e seu efeito em nossa capacidade intelectual: estímulo mental.

O artigo em inglês está aqui

Eu não tenho ideia de que ondas são essas, mas tanto faz. Não parei de ouvir jazz ao acordar desde que comecei.

Faça o teste também. Se quiser começar o dia com a mesma playlist que ouvi esta semana, é só clicar aqui para a seleção da Apple Music que inclui grandes nomes como Miles Davis e Chet Baker.

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